56% dos servidores não estão na lista de vacinados do Governo de MG no Portal Transparência

A maior parte dos nomes na lista de vacinados enviada pelo governo de Minas à Assembleia Legislativa (ALMG) não consta entre os servidores que aparecem no Portal da Transparência. Dos 828 nomes, 464 não estão nesse registro - o que representa 56% do total, conforme levantamento exclusivo da produção da TV Globo.

Conforme deliberação do governo, estariam autorizados à vacinação os trabalhadores das secretarias e órgãos estaduais de saúde. Mas, na lista enviada à ALMG, apenas 35% estão lotados na pasta (295 servidores). Lotados no Ipsemg, Hemominas e Fhemig somam 6 pessoas.

A lista foi divulgada somente pela ALMG, dois dias depois que o governador Romeu Zema (Novo) escreveu que "os atos de governo devem ser públicos e praticados com a máxima transparência e correção".


Fonte: G1. Globo

O governo de Minas Gerais informou, em nota enviada na tarde deste sábado (13), que a lista engloba "servidores lotados na SES, servidores cedidos por outros órgãos e terceirizados".

A vacinação de servidores contra a Covid-19 gerou a crise que levou à troca do comando na secretaria de Saúde, no momento mais grave da pandemia no estado. O então secretário Carlos Eduardo Amaral se justificou dizendo que foi vacinado "para dar o exemplo".

Mas especialistas criticaram a transparência do processo, a partir de uma deliberação publicada no Diário Oficial e escondida no site da pasta, que se limitava a informar que funcionários de secretarias de saúde poderiam se enquadrar entre os públicos prioritários da vacinação.

Além disso, não é possível identificar parte dos nomes que constam na lista em virtude do grande número de homônimos entre os servidores. Diferentemente de como ocorre no Portal da Transparência, a lista dos vacinados não tem o número da matrícula do pessoal do estado, principal forma de diferenciá-los em casos de coincidência entre os nomes.

A área de pessoal, disponível no Portal da Transparência, limita a pesquisa a dezembro de 2020. E informa que os dados foram atualizados no dia 9 de março de 2021.

A aplicação das primeiras doses para a imunização dos servidores ocorreu entre 16 e 27 de fevereiro. Com relação à segunda dose, o governo informou que consultaria o Ministério Público (MPMG) em busca de uma recomendação.

O MPMG, que apura a denúncia de "fura-fila" envolvendo os servidores, informou que a segunda dose pode ser aplicada, mas isso não muda em nada a responsabilização de quem tomou a primeira dose sem estar nos grupos prioritários. "A avaliação é que o prejuízo seria maior se eles não tomarem a segunda dose, pois isso faria com que, na prática, se jogasse fora a primeira dose de vacina que foi aplicada".

"A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informa que o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 enfatiza que são trabalhadores dos serviços de saúde todos aqueles que atuam em estabelecimentos vinculado à saúde.
A lista de vacinados engloba servidores que atuam na Secretaria de Estado de Saúde (SES), reunindo servidores lotados na SES, servidores cedidos por outros órgãos e terceirizados. No Portal da Transparência, constam como servidores da SES efetivos e comissionados com ônus financeiro para a SES. Servidores cedidos com ônus financeiro para órgãos de origem e terceirizados não aparecem no portal como servidores da Saúde."
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